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Até onde a busca pelo lucro vale a pena?

  • Writer: Aurora Grilo
    Aurora Grilo
  • Jul 26
  • 3 min read

Existe uma mudança acontecendo diante dos nossos olhos.


Vemos grandes empresas que possuem recursos financeiros para manter suas equipes, optando por substituir pessoas por inteligência artificial simplesmente porque isso reduz custos e aumenta a margem de lucro.


O problema começa quando a tecnologia deixa de complementar o trabalho humano, e passa a substituí-lo unicamente como estratégia para aumentar os ganhos.


Então, começamos a ver uma situação curiosa: viver fica cada vez mais caro, mas a vida parece valer cada vez menos.


Aqui, quero deixar uma coisa muito clara.


Eu não sou contra empresas terem lucro. Não sou contra empresários, executivos ou acionistas ganharem seus milhares, milhões ou bilhões. Empresa existe para gerar lucro, e isso faz parte do seu propósito.


Mas empresas também fazem parte de uma sociedade. Elas não existem isoladamente. Elas dependem de consumidores, trabalhadores, infraestrutura pública, educação, transporte, energia e de todo um sistema social que permite a sua existência.


O problema surge quando os ganhos obtidos por essa redução de custos permanecem concentrados apenas na empresa e em seus acionistas, enquanto a sociedade absorve os efeitos dessa decisão. - Não vou entrar aqui na questão da taxação ou de implantação de políticas públicas.


Cada vaga eliminada representa menos oportunidades de trabalho. E, ao mesmo tempo em que essas oportunidades diminuem, o custo de vida continua aumentando.

A inflação não para.

O aluguel continua subindo.

Os alimentos continuam mais caros.

Os serviços continuam aumentando de preço.


A vida não fica mais barata porque uma empresa conseguiu reduzir seus custos.


E é justamente isso que me preocupa quando vejo empresas utilizando inteligência artificial apenas para substituir pessoas, principalmente quando essa substituição não acontece por necessidade, mas simplesmente porque é uma forma de aumentar ainda mais o lucro.


Talvez esse seja o meu maior problema em relação ao uso exacerbado da IA.


O cérebro humano é extraordinário.


Nossa capacidade de aprender, criar, resolver problemas e desenvolver novas ideias é algo impressionante.


Nós não precisamos da IA porque a inteligência humana, por si só — volto a repetir — é extraordinária.

Ainda assim, acredito que a inteligência artificial faça sentido para auxiliar aqueles que têm certas limitações, e promover o bem-estar da humanidade.

Mas não para nos tornar descartáveis.


Obviamente, o avanço da tecnologia em qualquer área da vida é inevitável.


Mas, justamente por esse avanço ser inevitável que precisamos decidir qual será o papel dessa tecnologia.


Agora, vamos imaginar um cenário. - Eu sei que ele é bem utópico. - Ou será que não?... Enfim, vamos imaginar mesmo assim.


Se um dia a tecnologia chegar a um ponto em que boa parte do trabalho humano deixe de ser necessária, o que acontece com as pessoas? - Uma extinção causada pela tecnologia? 🧐


Uma empresa não vive sozinha. Ela vende para pessoas. Ela depende de pessoas.


Se ela substitui milhares de funcionários por inteligência artificial, ela economiza milhões em salários. Mas qual seria o impacto social disso?


E a minha pergunta é: por que essa economia deveria beneficiar apenas a empresa, quando ela causa um impacto social tão grande?


E, antes de qualquer coisa, quero deixar claro que isso é apenas uma hipótese, um exercício de imaginação. - :)


É por isso que eu insisto tanto nessa ideia.


Embora uma empresa não seja uma ONG nem uma instituição governamental, ela também não está fora da sociedade. Ela faz parte dela.


E, justamente por fazer parte dela, acredito que suas responsabilidades não deveriam ser apenas econômicas. Também deveriam ser sociais. - Embora já existam leis... sabemos.


Lembrando que:


A inteligência artificial tem um enorme potencial para auxiliar profissionais, aumentar a produtividade e tornar processos muito mais eficientes.


O que eu questiono é quando empresas que possuem plena capacidade financeira para manter suas equipes, optam por descartar pessoas, exclusivamente para aumentar suas margens de lucro.


Nós já sabemos que empresas buscam lucro. Isso já ficou claro. Mas isso não significa que toda decisão orientada pelo lucro seja, automaticamente, a melhor decisão a longo prazo.


E aqui eu deixo uma reflexão.


Muitas empresas nasceram porque seus fundadores tinham uma paixão, uma ideia ou uma visão maior do que eles mesmos. Foi essa visão que fez essas empresas crescerem.


Mas, depois de crescer tanto, qual é o legado que essa empresa quer deixar?


Ela quer contribuir para que exista um futuro melhor?


Ou seus executivos e acionistas querem apenas aproveitar ao máximo os resultados de hoje, extrair tudo o que for possível enquanto podem e deixar que o futuro resolva a conta?


Essa é uma pergunta que eu realmente acho que vale a pena fazer.


Porque existe outro aspecto que também entra nessa discussão: o impacto ambiental da própria inteligência artificial. - esse assunto fica para depois.


Então a pergunta que realmente importa é: Estamos utilizando essa tecnologia para potencializar o bem-estar na terra?

Ou apenas para concentrar ainda mais os benefícios econômicos no topo, e distribuir os custos sociais e ambientais para toda a humanidade?

 
 
 

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