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A Consciência Que Existe em Você

  • Writer: Aurora Grilo
    Aurora Grilo
  • 1 day ago
  • 4 min read

Antes de começar, quero deixar claro que este texto é mais uma ideia avulsa que decidi colocar no papel.


Até hoje, não existe um consenso definitivo sobre o que é a consciência. Não se há dados científicos definitivos se ela é apenas um produto que emerge do funcionamento do cérebro como um todo, se está associada a regiões específicas ou se existe algo além daquilo que hoje conseguimos explicar. A consciência continua sendo um dos maiores mistérios da ciência e da filosofia.


E esse é um assunto sobre o qual eu penso com muita frequência. Na verdade, talvez seja um dos temas que eu mais gosto de explorar. Entender onde termina um e começa o outro, e a forma como nós experimentamos a realidade é uma das reflexões que mais me fascinam.


Então aqui vão os meus dois centavos.


Outro dia eu gravei um vídeo sobre ansiedade. Nele, eu tentei deixar bem claro que a ansiedade acontece por uma questão estrutural do cérebro. E que cabe a nós, como seres conscientes, observarmos isso e trabalharmos para mudar essa estrutura ao longo do tempo. - E procure um médico!!! 🧐


Mas existe um ponto que eu queria aprofundar.


Na minha visão, nós somos a consciência. E, mesmo que alguém prefira dizer que nós somos o cérebro, acredito que essa reflexão continua fazendo sentido. - Embora, em minha visão, há a controversa de que, não é porque você é a consciência, que deixa de também ser o cérebro. - uns são mais consciência do que cérebro, outros mais cérebro do que consciência. Alguns só cérebro, outros apenas consciência...Enfim...


Pensa em alguma situação em que o seu corpo simplesmente travou, mas você continuou pensando: "Meu Deus, eu preciso me mexer. Preciso sair daqui."


O seu corpo não respondia, mas você continuava ali, percebendo tudo o que estava acontecendo.


Isso já mostra uma diferença importante.


Existe o corpo, existe o cérebro e existe essa capacidade de observar tudo isso acontecendo.


O cérebro é um órgão extraordinário. Ele recebe informações, processa essas informações, cria padrões, armazena experiências e envia sinais para todo o corpo. Ele está o tempo inteiro buscando a forma mais eficiente de responder ao ambiente e proteger o corpo físico.


Esse é o trabalho dele.


Mas existe algo que me chama muita atenção: você consegue observar os seus próprios pensamentos.


Se você consegue perceber um pensamento surgindo, então você não é, necessariamente, aquele pensamento. Você é quem o observa.


O mesmo vale para as emoções e para as sensações do corpo.


Quando bate aquela ansiedade, aquele aperto no peito ou aquela sensação de que você precisa levantar imediatamente, essas sensações são reais. Elas fazem parte dos sinais que o cérebro e o corpo estão produzindo.


Mas, na minha visão, existe algo que continua tendo a palavra final: a consciência.


É ela que consegue perceber tudo isso acontecendo e, ainda assim, escolher como agir. Salvo, em momentos de perigo iminente onde de maneira impulsiva o cérebro responde da forma mais segura possivel. - Muitas pessoas que passam por momentos como este, relatam não ter tido consciência de suas ações no momento do perigo.


Agora, se eu tentar explicar isso de outra forma...


Muita gente diz: "Você é o seu cérebro."


Tudo bem. Vamos partir desse ponto.


O cérebro possui inúmeras funções. Existe uma área responsável pelos movimentos do corpo, outra que processa a visão, outra que organiza memórias, outra que regula funções automáticas. Você não acessa diretamente nenhuma delas. Elas simplesmente funcionam.


O que você percebe é apenas o resultado.


Por exemplo, quando você decide levantar o braço, você não precisa controlar cada músculo, cada neurônio ou cada impulso elétrico. Todo esse processo acontece sozinho.


Isso significa que existe uma quantidade enorme de processos acontecendo dentro de nós sem que tenhamos acesso consciente a eles.


E é justamente por isso que eu faço essa reflexão: será que essa capacidade de observar não é algo diferente desses processos automáticos?


Pensa na infância.


Quando somos crianças, somos extremamente impulsivos. Aos poucos, por experiências onde o cérebro criou um movimento impulsivo e acabamos nos ferindo, o cérebro reconhece isso como - PERIGO- e cria a inibiçao motora. Aprendemos que não podemos fazer tudo o que dá vontade, porque isso pode nos machucar ou machucar outras pessoas.


O cérebro aprende isso. Ele registra experiências, cria padrões e passa a evitar determinados comportamentos.


Mas hoje quem percebe o impulso surgindo e escolhe agir — ou não agir — é a consciência.


E isso não vale apenas para os movimentos.


Também vale para os pensamentos.


Pensamentos aparecem o tempo inteiro. O problema é que muita gente acredita em tudo o que pensa. Não questiona, não observa, não duvida. Apenas deixa o pensamento passar e, de forma automática, concorda com ele.


O mais curioso é que quase todo mundo já aprendeu que não pode falar tudo o que pensa.


Quando éramos crianças, muitos de nós falávamos qualquer coisa e éramos corrigidos. Com o tempo, aprendemos a pensar antes de falar.


Hoje existe um freio.


Mas aí eu faço uma pergunta.


Se você sabe que existem coisas que não deveriam sair da sua boca, por que deixa essas mesmas coisas permanecerem na sua mente sem questioná-las?


Se existe algo que você sabe que é errado falar, Te garanto que pensar também é. - E o que isso diz sobre nós? provavelmente também não deveriamos alimentar esses pensamentos, não é mesmo?!!


É aí que entra a consciência.


Ser consciente não é impedir que pensamentos apareçam. Eles vão aparecer. O cérebro faz isso o tempo todo.


Ser consciente é olhar para esses pensamentos e decidir quais merecem a sua atenção e quais simplesmente não representam quem você é.


Porque, a partir do momento em que simplesmente nos deixamos levar por qualquer pensamento, qualquer emoção ou qualquer sensação que o corpo produz, deixamos de agir conscientemente. Passamos a funcionar no automático.


E, quando isso acontece, parece que o corpo assume o comando, enquanto a consciência apenas assiste.


O problema é que, vivendo dessa forma, nos tornamos reféns de nós mesmos. Reféns dos nossos pensamentos, das nossas emoções, dos nossos impulsos, do julgamento dos outros e das circunstâncias da vida.


Quanto menos conscientes estamos, mais tudo o que acontece ao nosso redor parece determinar quem somos e como vamos agir.


Quanto mais conscientes nos tornamos, mais começamos a agir integralmente, e não apenas por impulso.


Talvez a consciência seja justamente essa distância entre o que acontece dentro de nós e a forma como decidimos responder.










 
 
 

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